Reestruturação do Fundo de Emergência

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Em dezembro terminou o prazo de uma subscrição de Certificados de Tesouro Poupança Mais que tinha efetuado em 2015.

Tinha escolhido este produto de investimento para colocar o meu fundo de emergência e mais algumas poupanças por ser um produto seguro e porque as taxas que juro da minha subscrição eram relativamente atrativas.

Como se pode ver no quadro seguintes, as taxas praticadas na altura não têm qualquer semelhança com as praticadas hoje.

CTPM 2015Valor AplicadoTaxa (%)Juro Líquido (€)
1º. Ano25.000 €1,25225,00 €
2º. Ano25.000 €1,75315,00 €
3º. Ano25.000 €2,25405,00 €
4º. Ano25.000 €4,23761,40 €
5º. Ano25.000 €3,25585,00 €
Total:2 291,40 €

No 4º ano, ou seja, em 2019, ainda beneficiei de uma bonificação relativa ao crescimento do PIB.

Terminado o prazo, procurei por alternativas para colocar o meu fundo de emergência. Devido à natureza deste objetivo, queria um produto de capital garantido, de fácil e rápida mobilização (no caso de alguma emergência se verificar) e, se possível, que ainda me desse algum rendimento.

Considerei depósitos a prazo, certificados de aforro, certificados do tesouro Poupança Crescimento e fundos de investimento de baixo risco. Os depósitos a prazo não dão retorno. Os fundos de investimento, mesmo os de baixo risco, têm risco de perda de capital, pelo que a opção seria tomada entre os certificados de aforro e os do tesouro.

Acabei por optar pelos certificados de aforro pois, embora tenham uma rentabilidade inferior, podem ser mobilizados ao fim de 3 meses em vez de um ano, como nos certificados de tesouro. No caso de ter uma emergência em breve não posso ficar um ano à espera de poder levantar dinheiro.

No entanto, decidi não aplicar todo o dinheiro mas apenas o fundo de emergência propriamente dito, equivalente a mais ou menos um ano de despesas fixas.

A rentabilidade dos certificados de aforro, atualmente, é praticamente nula. É determinada mensalmente no antepenúltimo dia útil do mês, para vigorar durante o mês seguinte, segundo a fórmula: E3+1% em que E3 é a média dos valores da Euribor a três meses observados nos dez dias úteis anteriores, sendo o resultado arredondado à terceira casa decimal e não poderá resultar numa taxa base superior a 3,5%, nem inferior a 0%.

Subscrevi em dezembro com a primeira taxa aplicada de 0,478%. Utilizando o simulador dos CTT, se a taxa se mantivesse constante, a minha rentabilidade a 5 anos seria a seguinte:

PeríodoTrimestreCapital no início do períodoTaxa BasePrémioTaxa FinalJuro líquidoCapital + Juro líquido no fim do períodoTaxa de Juro Efetiva Bruta
1º Ano1º Trim€15.000,000,48%0,00%0,48%€12,91€15.012,91
2º Trim€15.012,910,48%0,00%0,48%€12,92€15.025,82
3º Trim€15.025,820,48%0,00%0,48%€12,93€15.038,75
4º Trim€15.038,750,48%0,00%0,48%€12,94€15.051,690,48%
2º Ano1º Trim€15.051,690,48%0,50%0,98%€26,50€15.078,19
2º Trim€15.078,190,48%0,50%0,98%€26,54€15.104,73
3º Trim€15.104,730,48%0,50%0,98%€26,59€15.131,32
4º Trim€15.131,320,48%0,50%0,98%€26,64€15.157,960,73%
3º Ano1º Trim€15.157,960,48%0,50%0,98%€26,68€15.184,64
2º Trim€15.184,640,48%0,50%0,98%€26,73€15.211,37
3º Trim€15.211,370,48%0,50%0,98%€26,78€15.238,15
4º Trim€15.238,150,48%0,50%0,98%€26,83€15.264,980,81%
4º Ano1º Trim€15.264,980,48%0,50%0,98%€26,87€15.291,85
2º Trim€15.291,850,48%0,50%0,98%€26,92€15.318,77
3º Trim€15.318,770,48%0,50%0,98%€26,97€15.345,74
4º Trim€15.345,740,48%0,50%0,98%€27,02€15.372,750,86%
5º Ano1º Trim€15.372,750,48%0,50%0,98%€27,06€15.399,81
2º Trim€15.399,810,48%0,50%0,98%€27,11€15.426,92
3º Trim€15.426,920,48%0,50%0,98%€27,16€15.454,08
4º Trim€15.454,080,48%0,50%0,98%€27,21€15.481,290,88%
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Ao fim de 5 anos, teria acumulado juros no valor de 481,20€. Não é, por isso, um produto que possa dizer que coloquei o dinheiro a trabalhar para mim, como é meu objetivo.

Então e o restante dinheiro? Esse será aplicado na minha carteira de investimentos, de acordo com a minha estratégia de investimento em ações de crescimento de dividendos. O risco é muito superior mas o potencial de retorno também.

Não irei aplicar tudo de uma só vez mas sim um valor fixo mensal durante um ano, de forma a fazer o Dollar-Cost Averaging (DCA).

Há estudos que demonstram que na grande maioria das situações, é mais vantajoso o tempo no mercado do que tentar adivinhar o mercado. No entanto, cada investidor deve adaptar a sua estratégia de investimento ao seu perfil, de forma a poder dormir tranquilo. Eu penso que o mercado está sobrevalorizado atualmente e corre o risco de sofrer uma correção a qualquer momento, que pode ou não ser acentuada. Prefiro correr o risco de ver a minha rentabilidade potencial reduzida mas não estar demasiado preocupado com uma quebra acentuada no momento em que dupliquei o valor da minha carteira.

Em vez de investir o dinheiro todo de uma só vez, numa altura em que grande parte das ações está cara, vou então tentando encontrar bons negócios, com paciência e tempo e, se a tal correção acontecer e os preços descerem, tenho dinheiro de lado pronto a investir e a aproveitar as oportunidades que surjam.

Não se devem comparar produtos de capital garantido com produtos de risco, mas para poder demonstrar a diferente rentabilização dos nossos recursos financeiros se estivermos dispostos a assumir algum risco, fiz a seguinte simulação neste simulador de dividendos, assumindo os seguintes pressupostos:

  • Investimentos através de uma corretora low-cost (como a Degiro, Trading 212, etc);
  • Carteira de ações de dividendos americanas, iniciada com o total do valor a investir;
  • Sem reforços mensais mas reinvestindo os dividendos recebidos;
  • Taxa de dividendo da carteira de 3% (a da minha carteira atualmente está em 4,91%);
  • Dividendos taxados a uma taxa de 30%;
  • Dividendos não sofrem aumentos nem cortes;
  • A cotação das ações não muda durante o período;

Como se pode ver, o retorno anual de cada ano do investimento é quase o mesmo que o total dos 5 anos dos certificados de aforro.

No entanto, este retorno pode ser muito superior pois é expectável que muitas empresas aumentem o seu dividendo anualmente e é também expectável que a cotação das ações valorize num prazo de 5 anos, ao contrário dos certificados de aforro cujo valor é fixo ao longo do período de tempo.

Isto para dizer que muitos de nós têm aversão ao risco e apostam em produtos de capital garantido para guardarmos as nossas poupanças. Eu, até há pouco tempo, nem queria ouvir falar em bolsa. No entanto, assumir algum risco é a única forma tirar alguma rentabilidade das nossas poupanças sendo, no entanto, fundamental cumprir as regras básicas de não investir dinheiro que nos possa fazer falta no curto/médio prazo e garantir uma boa diversificação dos investimentos, não colocando todos os ovos no mesmo cesto.

Bons investimentos.

RBhttps://www.casacomtodos.com
Informático, de profissão e vocação, adora fazer caminhadas, correr, ver séries e ler livros de finanças pessoais. Destas, apenas 2 são mesmo verdade.

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