Receita de Arroz de Pato à Antiga

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O arroz de pato é indiscutivelmente um clássico da cozinha portuguesa. 

Com raiz em Braga, atravessou o país, sendo replicada por diversas mãos, que ao longo dos anos a foram aprimorando ou facilitando a sua confeção.

Existem inúmeras formas de o fazer, e não é segredo que não é propriamente uma receita de rápida preparação. 

O gosto pelo prato associado à falta de tempo no dia a dia, fez-me procurar diversas receitas na internet que fossem fáceis e rápidas o suficiente para me permitir fazer este prato com alguma regularidade – e consegui – com uma dica aqui e outra ali, criei a minha própria receita que apesar de não ser nenhuma especialidade, nunca me deixou ficar mal, conquistando alguns elogios.

Hoje, aborrecida e com tempo de sobra, apeteceu-me fazer arroz de pato (mas não a minha receita de quem quer apresentar um prato digno de “almoço de domingo” com o tempo de um almoço de uma 5ª feira de trabalho). Apetecia-me aquele arroz de pato especial, com o arroz bem escurinho à moda das nossas avós.

Perguntei, li, pesquisei, e não cheguei a conclusão nenhuma. Para uns o truque é colocar molho de soja, outro molho inglês, e há até quem ponha açúcar mascavado ou do refinado, deixando caramelizar no refugado de forma a dar aquela cor escurinha, tão apetecível.

Então lembrei-me que em tempos, a minha querida vovó Lulu, que já há muito nos deixou, escreveu-me um livro com as principais receitas dela. Apesar de o guardar com muito carinho e quase como uma relíquia, pois quem o escreveu, nunca mais escreverá nenhum, raramente o uso. 

Repleto de receitas que são autênticas iguarias, nada é rápido e prático o suficiente para me recorrer a ele mais vezes. Com a falta de tempo (e paciência) diária, quando pretendo variar alguma coisa na cozinha, recorre-me à internet que apresenta sempre inúmeras soluções.

Ao pegar no caderno, de capa preta, (plastificado por mim, para durar muitos aninhos) com a letrinha muito certinha e direitinha de quem escreve com muito amor, lá estava ela! A receita que eu queria, o arroz de pato da minha avó! Certamente não será melhor nem pior que qualquer outra, mas quem o comeu, diz nunca ter provado nenhum melhor – e eu concordo!

Arroz de Pato à antiga

Preparação30 mins
Cozedura2 hrs
Tempo Total3 hrs
Tipo: Prato Principal
Cozinha: Portuguêsa
Género: comida tradicional portuguesa
Doses: 6 pessoas
Custo: 12€

Equipamento

  • Forno

Ingredientes

Para cozer o pato

  • 2,5 kg 1 pato com miúdos, cortado aos pedaços
  • 150 gr bacom inteiro
  • 1 chouriço carne, inteiro
  • 1 cebola, inteira
  • 200 ml vinho tinto
  • sal grosso, q.b. (o bacon e chouriço já são salgados)
  • água, até cobrir o pato

Para o arroz

  • 1 cebola, grande
  • 2 dentes alho, picado
  • 1 folha louro
  • 2 chávenas arroz vaporizado, (a receita da minha avó não leva arroz vaporizado, esta é uma adaptação minha para garantir que o arroz fica soltinho)
  • 2,5 chávenas água de cozer o pato
  • 1 cálice vinho porto
  • sal, q.b.
  • pimenta, q.b.

Instruções

  • Num tacho grande adicionar os ingredientes para cozer o pato e levar ao lume durante cerca de 1 hora, quanto mais tempo cozer, mais fácil será de desfiar.
  • Retirar, reservar o caldo e deixar arrefecer o pato. Depois de frio, desfiar o pato e o bacon. Eu gosto de desfiar à mão em bocadinhos maiores ou menores, conforme o gosto (cortado com a faca, partimos as fibras e acho que não fica tão bonito – mas isso, sou eu). Os miúdos, eu pico com a faca, porque alguns são fibrosos e mais difíceis de desfiar.
  • O caldo, geralmente coloco no frigorifico, para que a gordura se separe. Ficamos assim com uma parte mais aquosa em baixo e a de cima, uma camada de gordura mais sólida.
  • Retirar a camada de gordura mais sólida e colocar num tacho juntamente com a cebola e o alho bem picadinhos ou passados no ralador para ficar quase impercetível. 
    E agora aqui é que está o truque da cor do arroz, a cebola e o alho refogam na gordura no pato quase até queimar. Quando acharem que a cebola já está a queimar, deixam ficar ainda mais um bocado – é aquele ponto em que por norma deitaríamos o refugado ao lixo e iniciávamos outro – a cebola tem que ficar castanho muito escura, aquela cor antes do preto de ter torrado.
  • Juntar o arroz, deixar fritar um bocadinho e acrescentar o cálice de vinho do porto – voltar a mexer – nesta fase já vão ver o arroz cor aquela maravilhosa.
  • Juntar as 2,5 chávenas de água de cozer o pato (aquela que sobrou depois de retirarmos a gordura) retificar o sal e pimenta e deixar cozer o arroz.
  • Depois de cozido, e vão ver que ele fica muito soltinho, deitar o arroz num tabuleiro de ir ao forno, e misturar as carnes. Até encontrar esta receita, eu fazia em camadas (uma camada de arroz, uma de carnes e outra de arroz – tipo empadão). Desta vez, experimentei a sugestão da minha avó, e envolvi tudo – sem dúvida que gostei mais.
    Apesar de não fazer parte da receita da vovó, a malta cá de casa adora queijo derretido, por isso, coloco queijo ralado por cima, e termino com o chouriço que cozeu com o pato, cortado às rodelas. 
  • Vai ao forno ventilado a 160 graus até ficar com aquela corzinha apetecível.

Aprovadíssimo, a malta adorou e o RB diz que foi o melhor arroz de pato que já comeu, mas lá está…não garanto que a hora tardia a que nos sentámos à mesa não possa ter tido alguma influência na apreciação.

Se conhecerem mais alguma dica, partilhem!

IMhttps://www.casacomtodos.com
IM, consultora de profissão, esposa e mãe por opção, dona de casa por obrigação. Uma apaixonada pela vida que quando não está a fazer o que gosta, está certamente a fazer o que não gosta.

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