Poupar Mais

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Como já falei aqui, no fim de 2019 decidi dar um novo rumo às minhas finanças. O meu objetivo era (e continua a ser) poupar mais e investir essas poupanças de forma a criar, lentamente, uma fonte de rendimentos passiva. Este blog foi criado para documentar essa evolução.

Isto acontece numa fase em que percebi que o meu património líquido, ao invés de aumentar, estava a diminuir ao longo dos anos mais recentes. Em parte devido a falta de disciplina mas também por falta de objetivos concretos para as poupanças.

Ao mesmo tempo, foi-me dada a conhecer uma estratégia de investimento baseada em ações que pagam dividendos e que têm um histórico de crescimento desses dividendos de forma regular.

Nunca tinha investido em ações individuais e achava que aplicar as poupanças na bolsa era muito arriscado. No entanto, resolvi estudar o assunto pois os instrumentos financeiros onde as tinha maioritariamente aplicadas, tal como a maioria dos portugueses, os depósitos a prazo e certificados, não geravam retornos praticamente nenhuns.

Com o meu estudo fiquei a conhecer melhor temas como o fundo de emergência, a alocação de portfólio, a gestão de risco, a relação entre risco e retorno, o reinvestimento de dividendos e a taxa de juro composta, para dar alguns exemplos.

Gráficos como o seguinte, que demonstra a diferença entre retorno obtido com o reinvestimento de dividendos ao fim de um período considerável de tempo, convenceram-me a experimentar e investir em algumas destas ações.

Simple vs Compound Interest and Investing | TradingSim

Apesar do recebimento de dividendos não ser uma estratégia eficiente do ponto de vista fiscal, vi nela uma fonte de motivação. É agradável e motivador ver o retorno do investimento a cair na conta todos os meses bem como ver esse retorno a crescer com o tempo.

Mas além de ser agradável, é útil. Enquanto estiver empregado, é uma fonte de rendimento para reinvestir, seguindo a mesma estratégia, e aumentar os rendimentos futuros. Quando me reformar, é um rendimento que poderei utilizar para pagar algumas contas sem mexer nos investimentos, que irei deixar aos filhos.

Criei então um plano de investimentos em que estipulei uma verba mensal mínima para reforço da minha carteira. Defini objetivos para os dividendos anuais e para o valor da carteira para os próximos 15 anos.

Passei então a ter a motivação e o objetivo que me faltavam para poupar mais e esse efeito já se sentiu em 2020.

Com menos de 1.000€ poupados em 2019, no ano passado esse valor já atingiu mais de 4.300€. Isto num ano em que tive mais de 3.700€ de despesas com avarias no meu carro.

É certo que uma parte dessa poupança foi provocada direta ou indiretamente pelo confinamento. Tivemos custos bastante inferiores com transportes e jantaradas com os amigos. Estando em casa não somos tão expostos a impulsos de compra.

No entanto, constato que tive algumas mudanças de mentalidade.

Não sou um adepto da frugalidade extrema. Não deixarei de gastar dinheiro em algumas coisas supérfluas, não deixarei de ir jantar fora, nem de gastar em coisas que nos dêem satisfação e prazer. Acho que deve haver um equilíbrio entre o hoje e o amanhã.

No entanto, antigamente via se me sobrava dinheiro ao fim do mês e depois pensava o que havia de fazer com ele. Agora, no inicio de cada mês, coloco de lado o valor que estipulei que tenho que poupar mensalmente e aplico-o de acordo com os meus objetivos. Ou reforço a poupança para imponderáveis ou aplico na minha carteira de investimentos.

Deixei de gastar dinheiro em muita coisa que, pensando bem, não precisava. Agora, faço as contas todas. Antes que comprar algo, seja de que valor for, já penso se vale a pena perder 20 anos de retornos compostos desse valor (e o que esse dinheiro me pode dar no futuro), para ter esse artigo agora.

Para dar um exemplo, se estiver a pensar em fazer umas férias que custam 2.500€, agora sei que na realidade essas férias não me custarão apenas 2.500€. Elas irão fazer com que perca a possibilidade de, com esse dinheiro, ganhar mais de 2.000€ de retorno daqui a 20 anos se tivesse antes investido esse dinheiro.

Isto não significa que vá deixar de ir de férias. Mas sei o custo de oportunidade desse gasto. Com a opção A fico com menos 2.500€, com a opção B fico com mais 4550€, ou seja, uma diferença de 7.050€ de património ao fim de 20 anos. E estou a contabilizar apenas o valor dos dividendos e não o da valorização expectável do investimento.

E pensar que há pessoas que pagam as férias a crédito…

Resumindo, os fatores mais importantes para a minha alteração de comportamento e estar efetivamente a poupar mais agora que antes foram, em primeiro lugar, ter adquirido conhecimento e, depois, ter arranjado incentivos e objetivos para as minhas poupanças aplicando uma estratégia que funciona para mim.

RBhttps://www.casacomtodos.com
Informático, de profissão e vocação, adora fazer caminhadas, correr, ver séries e ler livros de finanças pessoais. Destas, apenas 2 são mesmo verdade.

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