Perceção vs Realidade

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Como estamos na altura em que definem as metas e os desafios para o ano todo, tenho notado que há muita gente, da que leio, que definiu um objetivo para o número de dias sem gastar dinheiro, seja anual ou mensal.

Dei por mim a pensar no número de dias deste novo ano, que ainda não são muitos, em que não gastei dinheiro nenhum. Devem ser para aí 7, ou seja, metade, pensei eu.

Quando fumava, todos os dias gastava dinheiro. Era o maço de cigarros e, por vezes, o café. Gostava de ter sempre moedas no bolso porque, às vezes, apanhava as máquinas de tabaco que não aceitam notas e sempre odiei ter que ir ao balcão pedir para trocar dinheiro.

Agora que deixei de fumar, não gasto nos cigarros nem no café. Quase todas as despesas são pagas com cartão, pelo que é comum andar com as mesmas moedas no bolso durante semanas. Por exemplo, neste preciso momento, falta-me 1 cêntimo para ter 70 cêntimos e poder despachar um volume grande de moedas, que já me acompanham desde o ano passado.

Felizmente, como sabem, registo toda e qualquer despesas que tenha numa aplicação que está sempre comigo.

Então lá fui eu, todo confiante, confirmar que estive 7 dias de 2020 sem gastar dinheiro. Não! Foram só 3.

Depois de consultar a aplicação lá me lembrei daquele café que bebi na sexta-feira e na rifa que comprei a uma colega para os Reis, entre outras coisas.

A perceção que eu tinha de uma situação e a realidade eram coisas bastante diferentes.

Esta diferença acontece com muitas situações do dia a dia, mas, nas finanças pessoais, pode ter efeitos dolorosos.

Já quantas vezes me aconteceu comprar determinada coisa, pois julgava que o dinheiro que ainda tinha nesse mês dava e sobrava para isso, quando afinal, depois da compra feita, constatei que afinal não dava. O dinheiro que pensava que tinha já tinha sido gasto noutra coisa.

Então o que fazer para tentar que a minha perceção e a realidade sejam o mais próximas possível? Não faço ideia. A minha perceção da realidade está sempre muito distante da realidade. Sou sempre muito otimista com o que gosto e pessimista com o que não gosto.

Como sei que não posso confiar só em mim, utilizo duas ferramentas, que já falei aqui, que me ajudam a não errar tanto:

Registo diário de receitas e despesas

O registo de todas as receitas e despesas, logo que estas acontecem, permite-me saber o dinheiro que tenho disponível.

Orçamento mensal

A definição do orçamento mensal permite dar um objetivo ao dinheiro. Não é suficiente saber que tenho 100 € disponíveis até ao fim do mês, pois eles já podem ter como destino o pagamento de uma determinada conta.

Então o orçamento mensal permite fazer opções. Se gastar aqui tenho que tirar dali. Só tenho de lembrar-me de consultar o orçamento antes de fazer as compras.

Muitas pessoas conseguem gerir muito bem as suas finanças pessoais sem a necessidade de recorrer ao registo das despesas e ao orçamento mensal. Eu não consigo. Julgo sempre ter mais dinheiro do que o que efetivamente tenho.

E vocês?

RBhttps://www.casacomtodos.com
Informático, de profissão e vocação, adora fazer caminhadas, correr, ver séries e ler livros de finanças pessoais. Destas, apenas 2 são mesmo verdade.

1 COMENTÁRIO

  1. Confere! Sou dada ao optimismo! O que vale é que imponho limites financeiros como um ditador!!!! Mas ainda tenho um longo caminho a percorrer! Gosto mesmo muito do que partilham por aqui! Continue . Ana

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