Medir o Património Líquido

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Medir é bom. Medir dá dados e aumenta a consciência.

É muito mais fácil melhorar algo se tivermos dados, métricas e objetivos claros. É mais fácil experimentar novas estratégias ou novas soluções se tivermos dados que forneçam feedback. A tomada de decisão é mais fácil se for baseada em dados e não (apenas) em instintos.

Na maioria das vezes, o simples fato de medirmos algo traz-nos melhorias no que se deseja otimizar. 

Se começarmos a monitorizar as calorias que ingerimos, podemos conseguir passar a comer melhor. Se começarmos a medir a nossa contagem de passos diários será mais fácil passarmos a caminhar mais e passarmos mais tempo ao ar livre. Se começarmos a monitorizar as nossas despesas passaremos a ser mais diligentes com o nosso dinheiro.

Quem acompanha este blog sabe que sou um entusiástico defensor de registar e monitorizar todas as despesas e receitas diariamente. Esse registo torna-me mais consciente do que acontece às minhas finanças.

A consciencialização traz atenção. Atenção pode gerar dúvidas.

Por que gastamos 30% mais do que o normal em mercearia este mês?“, “Por que é que a nossa taxa de poupança está a diminuir? 

As perguntas podem encontrar respostas e estas podem desencadear comportamentos e ações.

“Estamos a pagar uma mensalidade por um serviço que não usamos com frequência. Isso não faz sentido, vamos cancelar!”

Ações podem se tornar hábitos.

Eu preparo o meu almoço e levo-o todos os dias para o trabalho, evitando assim ir a restaurantes

Os hábitos transformam-se em identidade.

Sou uma pessoa que compra artigos em segunda mão

Quando algo atinge o nível de identidade, ele pega. Ele ficará inconsciente e não tão dependente da nossa força de vontade. Não há tanta fadiga na decisão. É quem nós somos.

E tudo começou com consciência.

Todos nós temos como objetivo a procura da segurança financeira e o aumento do nosso património. Na minha opinião, isso é muito mais difícil sem medirmos frequentemente o nosso património líquido e tirarmos conclusões sobre a sua evolução.

Como calcular o património líquido?

O património líquido não é mais que tudo o que possuímos de importância (os ativos) menos o que devemos (os passivos). Ativos incluem dinheiro e investimentos, a casa e outros imóveis, carros ou qualquer outra coisa de valor que possuímos. Os passivos são o que devemos sobre esses ativos, incluindo empréstimos para automóveis, a hipoteca da casa e dívidas de outros empréstimos.

O património líquido é uma medida da nossa saúde financeira porque basicamente diz-nos o que sobraria se vendêssemos todos os ativos para pagar todas as dívidas. 

Cada movimento financeiro que nós fizermos deve ter como objetivo aumentar o nosso património líquido. Isso significa aumentar os ativos ou diminuir os passivos.

Calcular o património líquido não é difícil. Apenas necessitamos de um pouco de tempo, um papel e uma calculadora (idealmente, uma folha de cálculo).

Há várias opções para este cálculo. Por exemplo, há quem inclua nos ativos os valores atuais dos automóveis e da casa e há quem os exclua. O mais importante é definir as regras e depois segui-las consistentemente, pois só podemos tirar conclusões sobre a evolução do património entre dois pontos temporais se usarmos exatamente as mesmas regras.

Etapa 1: Fazer uma lista de todos os ativos e os seus valores estimados.

A lista dos ativos deve incluir todas as poupanças, os saldos atuais em contas correntes, o valor atual dos investimentos, o valor da casa e dos automóveis. 

Eu, pessoalmente, não incluo o automóvel pois não o considero tanto um ativo mas mais uma despesa. No entanto, se tivesse um crédito sobre o automóvel, iria incluir tanto o valor do crédito como o do automóvel.

Alguns destes ativos têm valores muito específicos e óbvios (como o saldo das contas bancárias), outros exigirão que se façam estimativas. Por exemplo, não é fácil saber quanto vale exatamente a nossa casa ou o nosso carro.

Depois de listar todos os ativos teremos o seu valor total.

Etapa 2: Fazer uma lista de todas as dívidas

A lista dos passivos deve incluir todas as dívidas como os saldos dos cartões de crédito, empréstimos pessoais, empréstimos para aquisição de automóveis, empréstimos para habitação e assim por diante.

Depois de listar todas as dívidas teremos também o seu valor total.

Etapa 3: Subtrair

Finalmente, basta subtrair a dívida total aos ativos totais. O número resultante é o nosso património líquido.

O que significa um património líquido negativo?

Algumas pessoas calculam o seu património líquido e descobrem que ele é negativo. Isso geralmente é o resultado de ter contraído empréstimos, como o empréstimo para um automóvel que se deprecia rapidamente ou acumulado saldos em cartões de crédito que ainda irão pagar. O património líquido dessas pessoas é negativo porque elas não têm ativos suficientes para pagar todas as dívidas. Então, esse será um fator a ser tratado com prioridade máxima.

Como aumentar o património líquido?

Resumindo, sempre que aumentamos um dos ativos ou reduzimos um passivo estaremos a aumentar o nosso património líquido. Cada vez que uma dívida é paga ou um dos ativos valoriza, o património líquido aumentará.  

Da mesma forma, o património líquido diminui quando contraímos uma nova dívida que não faz aumentar os nossos ativos pelo menos no mesmo valor. Também diminui sempre que utilizamos os nossos ativos gastando dinheiro em coisas como roupas, férias, juros de empréstimos, etc. Sempre que se compra algo o património líquido diminui.

Normalmente, a forma mais simples para aumentar o património é poupando, pagando as dívidas e investindo o restante.

Com que frequência deve ser calculado o património líquido?

Acho útil calcular o património líquido todos os meses. O meu objetivo é todos os meses aumentar o meu património líquido em relação ao mês anterior, o que significa que as minhas despesas do mês foram inferiores às minhas receitas. Já que não possuo dívidas, uso o excedente para aumentar a poupança pessoal e investir.

No entanto, o que funciona para mim não significa que funcione para todos. O importante é seguir a evolução do património com a frequência que achar útil para poder tirar conclusões e planear ações que vos ajudem a atingir os objetivos.

Conclusão

O património líquido é uma medida a usar para determinarmos a nossa situação financeira e conhecer a nossa situação financeira real é fundamental.

Quem quer gerir melhor as suas finanças, tem que conhecer e acompanhar a evolução do seu património financeiro, porque só se consegue gerir o que se conhece muito bem.

Porque nos devemos dar ao trabalho de acompanhar a evolução do nosso património? Fácil: mostra o nosso progresso conforme trabalhamos para aumentar os nossos ativos e diminuir os nossos passivos. A independência financeira demora muito tempo… monitorizar os nossos números mostra o nosso compromisso com essa caminhada.

Esse acompanhamento também expõe os pontos fortes e fracos dos nossos hábitos financeiros e como alterações específicas nos nossos ativos e passivos afetam a nossa saúde financeira.

A gestão e o acompanhamento do nosso património é indispensável para construir a tranquilidade financeira que todos desejamos para a nossa vida!

RBhttps://www.casacomtodos.com
Informático, de profissão e vocação, adora fazer caminhadas, correr, ver séries e ler livros de finanças pessoais. Destas, apenas 2 são mesmo verdade.

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