Manter ou Trocar o Meu Carro?

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Como já devem ter reparado, o meu carro é um tema recorrente neste blog. Isto porque, desde há um ano e meio para cá, necessita de ir à oficina de dois em dois meses e a despesa raramente é meiga. É exatamente onde ele está nestas duas últimas semanas.

Com tantos problemas seguidos e não tendo atualmente confiança no desempenho futuro dele, mas apresentando um estado de praticamente novo tanto nos interiores como no exterior e sabendo que a compra de um automóvel é uma das piores decisões financeiras que se pode fazer, devo manter este ou trocar de carro? (spoiler: não tenho resposta para esta questão).

Contexto

Antes de vir morar com a IM eu tinha um carro pequeno, um BMW 116D que comprei naquelas campanhas de usados com garantia da marca. Aliás, dos 7 carros que tive até hoje, apenas um foi comprado novo porque foi o meu pai que me ofereceu nos tempos da universidade.

Sempre achei que comprar um carro novo era um desperdício de dinheiro devido ao valor que eles desvalorizam nos primeiros anos e nunca tive problemas com os usados que tive.

No entanto, de um dia para o outro, o carro tornou-se pequeno para as necessidades. A família passou de 3 para 5 e, quem conhece o carro, sabe que o espaço interior é muito reduzido.

Tive necessidade de o trocar o carro por um maior, que permitisse fazer viagens maiores com conforto para toda a família e que ainda tivesse espaço suficiente para levarmos as tralhas de todos quando fossemos de férias. Nessa altura surgiu a possibilidade de trocar por uma carrinha BMW 525D, com 3 anos, que estava a ser vendida por um amigo da família.

Quando vi a carrinha fiquei entusiasmado. Volante desportivo M, teto panorâmico, mudanças automáticas, sistema de som Bose, todos os extras relacionados com segurança e uma mala onde cabia o carro que tinha. Mas foi quando peguei nele para dar uma volta, que fiquei apaixonado. É uma maravilha de conduzir, muito confortável e, quando se liga o modo Sport para ativar os 215 cv e se carrega no acelerador, até as doenças ficam coladas ao vidro de trás.

Ao vir morar com a IM, passei a ter que fazer muitos km de autoestrada, para ir trabalhar, para ir buscar e levar os meus filhos e para visitar a família. E para fazer tantos km com a maior segurança possível, a carrinha era perfeita.

Apesar de ser um carro para pessoas claramente acima do meu nível de vencimento, pensei que me poderia durar pelo menos 10 anos e que, respondendo a todas as minhas necessidades, não iria pensar em carros nos próximos anos pelo que, depois de muitas noites mal dormidas, resolvi fazer o esforço financeiro e comprá-la, a pronto pagamento, claro!

Nos primeiros dois anos correu tudo bem, fiz 100 000 km sem qualquer espécie de problemas e apenas gastando nas manutenções periódicas normais.

Depois, devido às despesas que estava a ter em gasóleo e portagens e aos problemas diários com o trânsito, resolvi deixar de ir de carro diariamente para o trabalho e passei a usar os transportes públicos. Acho que a carrinha ficou ressentida comigo por passar a fazer só fazer 5 km por dia útil e uns 120 km ao fim de semana. A partir daí, nestes últimos dois anos e meio, as viagens ao mecânico são uma constante.

Panorama atual

Ao fim de dois anos e meio de problemas e probleminhas e mais 100 000 km feitos, o panorama é este:

Quase 7 000,00€ depois, o carro está na oficina. No gráfico consegue-se perceber que nos últimos 5 trimestres não faltou a uma visitinha.

Sempre que o trago da oficina tenho um pico de otimismo e confio que vou estar uns tempos sem problemas, mas a verdade é que isso não tem acontecido.

Esta situação está-me a causar algum desgaste emocional. Além do transtorno que dá estar alguns dias sem carro e da despesa, também tenho um problema de confiança. Não consigo pegar no carro sem estar atento a tudo o que possa ser um indício de uma nova avaria, a tentar perceber o mínimo barulhinho estranho.

A triste verdade é que só há duas opções para este meu problema. Ou troco de carro e gasto uma pipa de massa de uma só vez noutro carro que, espero eu, não dê problemas nem despesas nos próximos anos, ou mantenho este e vou resolvendo as avarias uma a uma sempre rezando para que esse problema seja o último.

Manter ou trocar?

Tenho procurado informação sobre qual seria a melhor opção, mas só encontro artigos muito genéricos e vagos.

As razões mais utilizadas para favorecer a troca são:

  1. Idade do carro – No meu caso, a idade não será o problema pois o meu carro é de 2013, pelo que ainda não tem muita.
  2. Aspeto exterior e interior – Também não seria por aqui que eu trocaria de carro, pois ele está praticamente novo por fora e por dentro. O problema dele é por baixo 🙂
  3. Quilometragem – Há sites que aconselham a troca a partir dos 100 000 km. Eu acho este limite um bocado absurdo nos dias de hoje, mas sim, o meu carro já tem 300 000 km por isso este é um ponto que confere.
  4. Problemas técnicos – Quando o carro passa mais tempo na oficina do que na rua. Também confere.
  5. Desvalorização do veículo – Há quem ache que se deve trocar de carro para evitar que ele desvalorize mais. Não entendo bem este ponto pois os carros desvalorizam mais nos primeiros anos, mas sim, se eu quiser ainda receber alguma coisa pelo meu, não posso esperar muitos anos para o vender.

Os pontos mencionados não me ajudam a decidir pois há um empate entre os sinais para trocar e os para manter.

Na minha perspetiva pessoal, as vantagens principais de cada uma das opções são:

Manter

  • O carro está praticamente novo na parte que é visível ao utilizador.
  • Nunca mais vou ter um carro desta gama.
  • O dinheiro que gastaria para adquirir outro dá para muitas manutenções e avarias.
  • As minhas necessidades são atualmente reduzidas pois apenas o utilizo para ir até à estação dos comboios e ao fim de semana.
  • Prefiro manter este do que trocar por um utilitário mais fraco, que não me dê as mesmas garantias de segurança.
  • Apesar de na minha opinião os carros elétricos ainda não serem uma verdadeira alternativa, estão a evoluir para que isso aconteça num futuro próximo, pelo que seria vantajoso manter o carro por mais dois a três anos e depois trocar por um elétrico.
  • Não desvaloriza tanto como um novo.

Trocar

  • Presumivelmente, deixo de ter problemas nos próximos anos. Com a carrinha atual, a tendência é que este problema se vá agravando com o aumentar da idade e dos km.
  • Ter um carro com um tamanho mais adequado às minhas necessidades atuais pois agora um dos filhos já tem 19 anos e já é raro andarmos os 5, se bem que a única desvantagem da carrinha é na altura de estacionar.
  • Poder fazer deslocações sem a constante preocupação que alguma coisa vai correr mal.
  • Aquela motivação especial durante uns meses por ter um carro novo. Até há uma “piada” que diz que os homens gostam de mulheres vestidas de cabedal porque cheiram a carro novo.

Por muito que pense, confesso que não me consigo decidir. Por um lado, gostava de ter um carro novo e ver-me livre desta ansiedade e dos constantes problemas, por outro, gostava de manter o dinheiro que ele custa pois já não tenho muitos anos para construir uma reserva que me auxilie na reforma.

Alguém tem uma opinião ou um conselho para me dar?

RBhttps://www.casacomtodos.com
Informático, de profissão e vocação, adora fazer caminhadas, correr, ver séries e ler livros de finanças pessoais. Destas, apenas 2 são mesmo verdade.

6 COMENTÁRIOS

  1. Olá,
    Apesar de não costumar comentar, passo por aqui com alguma frequência, gosto de ler o que escreve.. Além de que trabalhamos na mesma área 🙂
    Em relação ao carro, à primeira vista eu dizia para trocar dadas as constantes idas à oficina mas tem que analisar muito bem… Eu fiz uma “maluquice” em 2017: tinha um Peugeot 208 com cerca de 70mil kms que tinha comprado em 2015 (fez uns 55mil kms na minha mão), mas na altura em que troquei estava a acabar a garantia que o stand me deu e entretanto ia precisar de 4pneus, revisões várias e inspeção, além de que entretanto ia começar com barulhinhos normais da idade e as pequenas chatisses de um carro com mais kms. Apesar de estar impecável, troquei-o numa feira do mesmo stand onde o tinha comprado por um BMW 116d de 2015 com 39mil kms, 3 anos de garantia do stand (se fizesse lá a manutenção) e com alguns extras que queria manter mas que nem todos os vendedores valorizam (ex. GPS).. O Peugeot foi vendido um dia ou dois depois de o entregar +- pelo preço que eu tinha comprado há 2 anos..
    Houve quem me chamasse nomes por ter trocado um carro que tinha comprado há tão pouco tempo… Na altura, dado o contexto e a oportunidade fiz um crédito onde tenho feito várias amortizações extra.. Se compensa? Talvez. Mas fazendo contas ao que ia pagar nas próximas despesas do 208 fora os imprevistos acho que fiquei a ganhar, além de que a segurança, conforto e o prazer de condução deste carro em relação ao outro, não tem nada a ver… Quando já o tinha comigo descobri que tinha o service inclusive ainda ativo até 2020 ou 100mil kms (apesar de gostar muito deles nunca tinha tido um BMW e não comprei na marca portanto não sabia disto nem como funcionava e o stand também não me tinha avisado desta benesse – óbvio, a manutenção neles custa pelo menos 250€, não me iam dizer que os BMWs têm por norma os primeiros 5 anos de manutenção incluída na marca).. Mas pesquisei melhor e expus a situação ao stand, pelo que chegamos a acordo: além de ter ficado com os 3 anos de garantia do stand, tenho feito as revisões na marca sem pagar nada 😀 sem mais problemas, só tive que trocar os pneus (desgaste normal de qualquer um) durante estes 3 anos.
    Bem.. Com tudo isto o que aconselho? Duas coisas: 1) pedir uma 2a opinião noutra oficina dadas as avarias recorrentes; 2) ir analisando o que os stands e as próprias marcas oferecem, sem qualquer compromisso (faço isto desde que tenho carros, mesmo que esteja contente e sem problemas com o que tenho).
    1) Não sei se os problemas que tem tido no seu carro incidem sempre na mesma coisa, mas de qualquer forma eu procurava outro mecânico, ou uma oficina da marca, para pedir uma segunda opinião (a oficina BMW onde vou para mim tem sido uma agradável surpresa) além de que se tem mais de 5 anos tem direito ao cartão value&care que lhe dá alguns descontos em peças e oficina, que podem ajudar e valer apena.
    2) nesta altura do ano há várias feiras automóveis, mesmo que não compre já já é uma óptima altura para ir vendo o que há no mercado… Vá aos stands quando fazem essas feiras (as das marcas são muito interessantes). E se já for +- com ideia do que procura, extras que não dispensa e assim é mais fácil (sou fã de stands que têm site com os carros, fotos, e toda a informação disponível, assim posso analisar tudo com calma e chego lá com ideia mais clara do que quero). Mas muito importante: não ceda ao primeiro valor/carro que lhe oferecem! Se nao foi aquele carro que viu e lhe agradou diga ao vendedor que não é aquele que procura. Se não for bem aquilo que procura não compre por impulso! Esse é o pior erro que pode fazer. Analise, fale com o vendedor, exponha todas as dúvidas, “cigane” o preço, peça valores com e sem crédito, mas não faça logo o acordo na hora. Veja e vá para casa pensar nas opções que lhe forem dadas. Faça muitas contas…
    Por exemplo, eu dizia que quando trocasse o 208, tinha que ter novamente gps, AC automático e 4vidros elétricos. Numa feira de um stand que “dá” carros ao domingo à tarde, fui ver as ofertas e havia um 116d com pouquíssimos kms mas sem GPS.. O vendedor espremeu o valor ao máximo para eu comprar aquele, teve mais de 3 horas de volta de mim a tentar vender-me o carro e a desvalorizar o GPS, que não precisava, que existem tlms que fazem o mesmo, etc… Não me conseguiu dar a volta e não estou nada arrependida.. 🙂
    Bem.. O texto já vai muito longo, desculpe.. Mas independentemente do que escolher, vá analisando o mercado com calma e sem compromisso, não perde nada e, se comprar, não compre por impulso… As melhores ofertas nem sempre são as primeiras que nos põe à frente 😉
    Mas a melhor opção será sempre a que escolher.
    Boa sorte! 🙂

    • Olá Sofia,

      Muito obrigado pelo seu comentário.
      Por acaso tenho feito quase tudo o que aconselha.

      Os problemas no meu carro nunca são os mesmos e isso ainda é mais preocupante. Normalmente levo-o a uma daquelas oficinas Bosh Car Service. Desta lez levei-o à marca e deram-me um orçamento para um veio de transmissão de 1.000€ (mais 500€ de mão de obra) que se encontram na internet a 200€. Tirei-o de lá e levei-o a outra oficina. Ainda lá está porque entretanto deixou de fazer o barulho e eles não encontram nenhum problema….. Entretanto, tenho que trocar discos e calços dos travões e já me disseram que não conseguem alinhar a diração enquanto não trocar as barras (por alto, mais 500€).

      Hoje fui ver uma feira de usados, só para ter uma ideia. O vendendor ficou de me enviar algumas possibilidades. Vou vendo enquanto não tomo uma decisão.

      Mais uma vez muito obrigado pelo comentário e pela visita.

  2. Eu estou com a mesma situação em mãos, mas numa gama de carros mais baixa. As contas que me nortearam foram: se já gastei em manutenção e reparações metade do valor que gastei no ato de aquisição então está na hora de me desfazer do carro. O carro já está com bastantes anos (ainda que tenha pouco mais de 100 mil quilómetros) e por isso só vai piorar.
    A minha estratégia tem sido falar com várias pessoas no sentido de perceber quais as marcas e modelos mais fiáveis do ponto de vista da manutenção. Para além disso, delineei os critérios para a compra de um carro usado e estabeleci que até 8000 euros compro um carro usado, a partir desse valor compro um carro semi-novo. Para comprar carro usado é só esperar que apareça um bom negócio, vou estando atenta ao que há sem estar desesperada. Entretanto vou tentar vender o meu carro a um particular, isto se não houver uma boa proposta de retoma nalguma marca.
    Creio que o próximo ano será um ano com boas oportunidades, infelizmente pelo contexto de crise que se adivinha.
    Adelina

    • Olá Adelina,

      Muito obrigado por partilhar.
      Eu vou hoje à oficina para me dizerem o que acham do estado geral do carro, para depois tomar a minha decisão. Espero sair de lá contente.

      Se tiver que trocar, acho que também vou optar por um usado porque os carros desvalorizam muito nos primeiros anos.

      RB

  3. Pois, escolhas dificeis. Concordo que as compras na marca de carros usados, são uma boa compra (eu própria já o fiz), temos uma garantia e poucos kms nos automóveis. Mas neste momento a tua dúvida é se deves ou não comprar um carro e isso é algo muito dificil de responder. Apartida dir-te-ia que não deverias comprar e deverias espremer ao máximo o que possuis, mas concordo que se os gastos são avultados na oficina isso também é preocupante. Vou deixar aqui umas perguntas para que também possas fazer a reflexão:

    – Consegues fazer as viagens mais longas com um método de transporte alternativo? (comboio por exemplo). Se reduzisses a utilização apenas até à viagem diária a outro meio de transporte não achas que compensaria adiar a compra de um automovel?

    – Procura também na internet em foruns de pessoas com o mesmo carro, se é algo comum – ou seja se a partir dessa idade muitas pessoas se queixam desses problemas desse carro em particular, ou se é algo especifico do teu carro.

    – PS: se comprares um automóvel de uma gama abaixo vais poupar? Em IUC, combustível, portagens?

    Uma vez levei a carrinha à oficina porque tinha ouvido um barulho muito estranho (foi o caminho todo até à oficina a fazer aquele barulho), quando cheguei lá parou. Ainda andei com ele para cima e para baixo a ver se voltava, mas nada. Chamei-lhe a carrinha mágica.

    Sou cada vez mais fã dos automóveis elétricos, mas como fiz uma compra em 2018, espero que seja só daqui a uns aninhos quando este não der para mais.

    • Oi,
      Obrigado pelo comentário e pelas excelentes dicas.

      Entretanto falei com o dono a oficina onde o meu carro está e estivemos a vê-lo com algum detalhe.

      Tendo tido bastante azar com o carro e já me disseram que este modelo dá mais problemas que outros, mas ele também é da opinião que devo mantê-lo para já. Vamos ver como se comporta no futuro e se isto foi apenas um azar passageiro.

      Fiquei um pouco mais tranquilo porque sou da opinião que esta é a pior altura para trocar. Os carros a gasolina gastam muito e a gasolina é mais cara, os carros a gasóleo vão começar a ser cada vez mais discriminados ao nível de impostos e na proibibição de circulação em diversos locais mas os carros elétricos, na minha opinião, só são alternativa para 2º carro. Para carro principal, não quero um que só faz 200 a 300km de cada vez e que demora horas a carregar depois, mas estão a evoluir rapidamente e acho que em breve serão a escolha certa.

      RB

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