Investimentos – Aguentar firme

em

Os mercados bolsistas mundiais continuam em queda livre, apesar das medidas que os bancos centrais estão a aplicar para fazer face às consequências económicas desta pandemia.

O índice S&P 500 está a perder mais de 30% desde o máximo histórico atingido este passado mês de fevereiro.

A economia americana, a maior do mundo, está a pôr um fim a 11 anos de expansão e prestes a entrar em recessão.

Na Europa o cenário é igual com os países a pararem para minimizar o contágio do COVID-19.

As principais preocupações ao nível macroeconómico, agora, estão em perceber o quão severa será esta contração e quanto tempo demorará.

A queda deverá ser grande pois uma grande parte do consumo, o grande motor das economias, está a parar com o fecho do comércio, o cancelamento de eventos, turismo, etc. e terá um grande impacto nos resultados das empresas.

Assumindo que o pico do contágio será atingido em maio com a chegada de tempo mais quente, como esperam os especialistas das organizações de saúde, muitos economistas preveem que a recessão irá durar cerca de 6 meses, seguindo-se uma recuperação tímida e gradual lá mais para o fim do ano.

Os dados históricos, como podemos observar no gráfico seguinte, mostram que o S&P 500 demora cerca de 4 anos até atingir o ponto em que estava antes de uma recessão acentuada.

Fonte: Yahoo! Finance

No entanto, a história poderá não se repetir pois tudo agora tem uma maior dimensão e velocidade que tinha há uns anos. A recém-terminada expansão foi, de longe, a mais longa de sempre e este crash foi, também, o mais rápido de que há memória.

Prever o mercado

Esta crise prova que não se consegue prever o mercado. Muitas pessoas e mesmo alguns analistas previram uma entrada em recessão todos os anos desde 2015 e, quem deixou de investir devido a isso, perdeu muitas e boas oportunidades.

Por outro lado, ainda há um mês ninguém imaginava que iríamos estar nesta situação.

Manter a estratégia

Então eu, que tenho dinheiro investido em ações como parte de uma estratégia de obter rendimento passivo como complemento da reforma, como devo lidar com toda esta situação?

Com tranquilidade e aguentando firme, pois há fatores importantes que devo ter em conta:

  • A probabilidade de perder dinheiro com ações num período de investimento de 20 anos é de 0%. Como sou um investidor de longo prazo, as oscilações de curto prazo não me devem fazer desviar do objetivo.
  • Como estou numa fase de crescimento dos investimentos, ou seja, estou comprador, a descida do preço das ações é boa para mim.
  • Um investidor de longo prazo deve comprar ações como se estivesse a comprar a empresa. Um dono de uma empresa não vende a empresa só porque teve um ano negativo, mas sim procura que os próximos anos sejam melhores.
  • O que realmente me interessa são os dividendos e, com as ações mais baratas, a taxa de dividendo de cada ação, se o valor do dividendo se mantiver, sobe e dá-me mais rendimentos.
  • As pessoas têm uma tendência natural para comprar quando o mercado já ganhou muito e para vender quando ele já perdeu muito. Os investidores que ganham, no longo prazo, são os que se mantêm fiéis à sua estratégia.
  • Tendo um fundo de emergência para dois anos de despesas essenciais, aplicado em produtos “seguros”, a probabilidade de precisar de alienar ações com perdas é reduzida.

Também é verdade que uma recessão poderá afetar os dividendos que as empresas irão distribuir quando a crise afetar os seus resultados.

No entanto, invisto maioritariamente em grandes empresas, com grandes reservas de capital e com um longo percurso de crescimento de dividendos, que já ultrapassaram crises anteriores e sempre compensaram os acionistas sem prejuízo do dividendo.

Claro que também investi em ações de algumas empresas que estarão mais frágeis para suportar grandes perdas, mas mesmo essas também recuperarão e recordam-me da importância de diversificar bem o portfolio.

Conclusão

Nada do que aqui foi dito é novidade. Já falei disto em diversos posts anteriores a este. No entanto, relembrar e escrever faz-me não desmotivar e manter a estratégia que defini que, cada vez mais, acredito que é a mais adequada para mim.

Os mercados e as ações sobem e descem todos os dias, uns dias mais do que outros, mas os dividendos continuam a ser distribuídos e eu continuo a recebê-los.

Enquanto assim for está tudo bem.

Artigo anteriorFicar em Casa #4
Próximo artigoPortfolio em 2020/03/21
RBhttps://www.casacomtodos.com
Informático, de profissão e vocação, adora fazer caminhadas, correr, ver séries e ler livros de finanças pessoais. Destas, apenas 2 são mesmo verdade.

2 COMENTÁRIOS

  1. “Por outro lado, ainda há um mês ninguém imaginava que iríamos estar nesta situação”.

    Como digo no meu blogue, iniciei os meus investimentos em bolsa muito por causa do vosso blogue. Iniciei em fevereiro, quando estava tudo bem. Duas semanas passaram e foi o que aconteceu. Penso que ninguém sabe o que irá acontecer na bolsa… Ainda hoje ia à compras e quando abro a aplicação, vejo a minha carteira a subir 5%, quase todas as empresas a subir 5% no mínimo. Está um período de grande volatilidade que deixa muito suspense no ar… Amanhã se for necessário, desce tudo de novo.
    O importante, pelo que tenho aprendido, é seguir a estratégia que delineamos desde o início e saber que no fim de tudo, este será um momento mau no meio de momentos de subidas.

    • Olá Tânia,
      Fico muito feliz por este blog ter servido de inspiração.
      Melhores tempos virão para os investimentos.
      Eu concordo que o melhor é seguir a estratégia, pelo menos, é o que dizem os dados históricos.
      A acreditar nisso, anteontem já reforcei a minha posição numa das ações que já tinha.
      Vamos ver como corre.

Deixar um comentário

ATUALMENTE A LER

MAIS POPULARES

COMENTÁRIOS RECENTES