Hábitos Financeiros

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Eu sou uma pessoa de hábitos. Ganho hábitos com uma facilidade incrível e tenho muita dificuldade em perdê-los.

Desde há muito anos que tenho vindo a ganhar um conjunto de hábitos que aplico sem pensar, como por exemplo:

  • Fumar: É um hábito nojento e caro que, ocasionalmente, traz momentos de prazer como, por exemplo, depois de um jantar agradável, a meio de um stress no trabalho ou depois de uma viagem de avião.
  • Roer as unhas: Já não me lembro como começou e, felizmente, já não o tenho mas ainda continuo a arrancar com os dentes aquelas peles à volta da unha como se não houvesse amanhã. É outro hábito nojento e muito pouco higiénico.
  • Tomar banho à noite: Pode-se considerar um hábito? Não sei mas, desde que me lembro, tomo sempre banho à noite e nunca de manhã. Sempre poupo algum tempo de manhã que o posso passar na cama.
  • Arrumação: Este hábito foi provocado pela minha mãe, que faz questão de ter sempre tudo arrumado como se, a qualquer momento, aparecesse alguém para tirar fotos para um catálogo. Eu levei-o ao extremo e agora, muitas vezes inconscientemente, tenho um sítio e uma posição para tudo. Se alguém mexer em alguma coisa minha eu sei. Se por alguma razão colocar algo fora do local predestinado, nunca mais o vou encontrar. Deve haver um termo clínico para isto.
  • etc, etc, etc.

Se quisesse ser exaustivo, ficávamos aqui até domingo.

Relativamente às finanças, também tenho um conjunto de hábitos implementado que realizo já sem pensar. Eles são:

Consultar as contas

Diariamente, quase sempre a primeira coisa da manhã, faço um “zapping” pelas minhas contas bancárias, de forma a verificar se houve algum movimento não antecipado.

Consulto os saldos e os movimentos e atualizo-os nas aplicações que utilizo para controlar as finanças. Também dou uma vista de olhos aos débitos directos dos próximos dias para garantir que não há surpresas.

Todos os dias sei quanto tenho em cada conta e raramente sou apanhado naquelas situações de tentar fazer um pagamento e não ter saldo disponível suficiente na conta.

Apesar disto, já fomos alvo de uma burla com cartões de débito, em que num fim de semana nos gastaram todo o dinheiro que tínhamos na conta à ordem, mas continuo a dormir muito melhor ao manter este hábito.

Registar todas as receitas e despesas

Toda a gente devia fazer um registo de receitas e despesas pois é a única forma de se ter uma verdadeira noção do que fazemos com o nosso dinheiro, como estamos hoje e como previsivelmente estaremos daqui a X dias. Eu faço-o há muitos anos e já quase sem pensar.

Além de registar as receitas e despesas efetuadas, também registo as que irão acontecer no futuro, assim não tenho surpresas com débitos diretos, pagamentos de seguros, IMI e outras despesas com uma frequência mais dilatada no tempo.

Atualmente registo no YNAB mas estou também a experimentar o Banktivity 7. Cada uma tem as suas vantagens e desvantagens.

Aprendi este hábito com o meu irmão há uma década atrás e lembro-me de ter ficado admirado com o detalhe da informação que ele tinha sobre as suas finanças. Quis fazer o mesmo e consegui, apesar de confessar que demora muito tempo até este processo ser completamente interiorizado. Durante os primeiros meses é muito frequente esquecer de registar movimentos que foram pagos em dinheiro, pois os outros podemos consultar a qualquer altura no extrato do banco.

Acompanhar os investimentos

Apesar de saber que muitos investidores aconselham a não o fazer, eu consulto as cotações das ações do meu portfólio pelo menos duas ou três vezes por dia. Mais por curiosidade do que por outro motivo, pois a bolsa estar a descer ou subir consideravelmente não me causa nenhum efeito emocional relevante. Gosto apenas de tentar perceber o que se passa.

Sempre que recebo um dividendo, vendo ou compro alguma ação, registo logo nas aplicações e também na folha de cálculo que também utilizo para monitorar a minha carteira de ações.

Diariamente tento também acompanhar algumas notícias e blogs sobre este tema. Estou particularmente atento a notícias sobre alterações nas políticas de dividendos das empresas em que investi e daquelas que estão na minha “watchlist”, bem como às apresentações de resultados das mesmas.

Fazer o balanço mensal

No último dia do mês começo por garantir que todas as contas estão atualizadas e faço, depois, o balanço do mês, obtendo a informação do YNAB e passando-a para uma folha de cálculo que utilizo para organizar a informação a publicar aqui no blog.

Frequentemente fico admirado com os resultados e tenho que pesquisar a causa dos mesmos. Quando isto acontece fico satisfeito por utilizar um sistema que me permite ter tudo registado e me permite explicar todo e qualquer resultado.

Tento também tirar algumas ilações sobre os acontecimentos do mês que me ajudem a planear melhor de futuro.

Fazer o orçamento mensal

Por fim, depois do mês fechado, faço o orçamento mensal para o mês que se inicia nas aplicações já referidas. Já faço isto há alguns anos, pelo que agora não há muito em que pensar. Junto as despesas fixas, que são praticamente sempre as mesmas, às despesas extraordinárias que possam estar planeadas para o mês, como os seguros, IMI, manutenções periódicas dos automóveis, etc.

Depois de todas as despesas orçamentadas, obtenho o saldo previsto para o valor que poderei poupar nesse mês e aloco uma parte para a poupança e outra para os investimentos, se o mês o permitir.

Conclusão

Gosto de pensar que sou uma pessoa organizada, especialmente no que toca às finanças e estou sempre a tentar arranjar novas formas de poder optimizar este processo.

Mesmo com toda a organização e planeamento, há sempre surpresas que vão acontecer e que nos vão fazer desviar do plano, mas a vida é mesmo assim.

Acredito que quem quiser ter uma situação financeira controlada e melhorá-la com o tempo, deve ter um conhecimento profundo das suas finanças e ter um plano de como o poderá atingir e é isto mesmo que eu tento fazer.

E vocês? Qual o método que utilizam ou técnicas que possam recomendar?

RBhttps://www.casacomtodos.com
Informático, de profissão e vocação, adora fazer caminhadas, correr, ver séries e ler livros de finanças pessoais. Destas, apenas 2 são mesmo verdade.

1 COMENTÁRIO

  1. Olá! Eu sou de registos, mas ainda pouco tecnológica! Para mim basta a “velha” folha de excel. O registo das despesas faço-o, a nível pessoal, há mais de 10 anos. Quando iniciei a vida a dois isso foi ponto assente. Aponto as despesas e classifico-as para fazer algumas análises. Também faço o orçamento para o mês. Nesse orçamento já tenho as rubricas (em linha com a classificação das despesas) e para cada despesa tenho o valor médio que gastei nessa rubrica no ano anterior. Procuro manter os registos em dia e vou espreitando as contas, mas não numa lógica diária. Até este momento estou bastante satisfeita com estas ações, elas permitem-me algum controlo e apoiam a tomada de decisões. Para além disso, ajuda a perceber efetivamente onde “desapareceu” o dinheiro.

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