Ficar em Casa #2

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Mais um dia passado, e cada vez percebo melhor o quanto isto de ficar de quarentena me vai doer na alma, nos joelhos e nas costas por passar tanto tempo de cócoras a limpar as mais pequenas partículas de pó que surgiram desde a última vez que aspirei a casa – ontem à noite.

Mas hoje foi um dia bom, saímos de casa, e senti quase como se estivesse a pecar.

Não saímos por capricho, mas por necessidade. Ficamos a saber hoje que amanhã já iremos ficar a trabalhar a partir de casa, pelo que as compras que tínhamos feito não tinham isso em consideração.

A nossa zona está a ser bastante afetada, e fomos informados por parte das autoridades municipais que os números reais de infetados é muito, mas muito superior ao divulgado. Com o pânico generalizado não se encontram máscaras em lado nenhum e resolvemos então entrar em contacto com a nossa dealer que nos arranjou uma caixinha com 50.

Foi o momento auge do dia, parecia que estávamos num filme, primeiro ligamos a combinar como iria ser feita a transação e ao chegar, tocámos à campainha do prédio, ela colocou a caixa no elevador, e no r/c cá estava eu, sozinha na entrada à espera que o elevador chegasse, vazio, sem ninguém, apenas com uma mini caixa lá dentro. Chego ao carro, e com medo que a caixa viesse infetada, saco do meu mini desinfetante da carteira e esfrego as mãos e caixa de forma a garantir a nossa segurança.

Ainda nos faltavam alguns bens de primeira necessidade e o café, estávamos todos a ressacar com a falta dele. Resolvemos fazer a ronda aos supermercados para avaliar as filas de espera e contrariamente ao que esperávamos, encontramos o Lidl quase vazio, não tinha mais de 15 pessoas lá dentro. Coloco a minha máscara na cara, entro, e passo a ser literalmente o centro das atenções – era a única com máscara. Finjo que os olhares e comentários não me afetam e abasteço o carrinho com as compras necessárias, de café, e whiskey claro, porque o RB estava a desesperar por já só ter 1 garrafa em casa.

E pronto, foi assim o nosso dia, agora só prevejo voltar a sentir esta adrenalina no dia em que o continente online passar por cá.

E vocês, como se têm aguentado?

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IMhttps://www.casacomtodos.com
IM, consultora de profissão, esposa e mãe por opção, dona de casa por obrigação. Uma apaixonada pela vida que quando não está a fazer o que gosta, está certamente a fazer o que não gosta.

4 COMENTÁRIOS

  1. Boa Tarde,

    Sinto a necessidade de vir relembrar que o uso de máscaras por pessoas assintomáticas não é de todo recomendado.

    Aliás usar a máscara incorrectamente ainda aumenta o risco de infecção e proporciona uma falsa sensação de segurança que faz com que as pessoas se tornem mais descuidadas.

    Basta, por alguma razão, tocar com a mão (que pode estar contaminada) na máscara e com o passar do tempo o virus irá atravessar a máscara e poderá a pessoa ficar também infectada.

    Por isso a máscara deve ser apenas utilizada por pessoas com sintomas e por pessoas que têm sintomas ou pessoas que cuidam de pessoas infectadas.

    Espero que ajudem a partilhar essa informação.

    • Olá Joana,

      Muito obrigado pelo seu comentário e por nos visitar.

      Concordo em absoluto com tudo o que referiu.

      As pessoas que não tenham outras indicações em contrário, devem seguir as recomendações gerais da DGS.

      Existem casos em que, devido à sua situação clínica particular ou de alguém do seu agregado (p.ex. transplantados), as pessoas têm instruções específicas do seu médico e, nesses casos, devemos seguir essas instruções.

      Espero que, por ter referido num artigo que tem como objetivo apenas o de fazer uma espécie de diário, que utilizei uma máscara para me deslocar a um recinto público fechado não seja interpretado por ninguém como um exemplo a seguir.

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