Depois da Pandemia

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Na passada semana tivemos ótimas notícias, que se prolongaram até esta semana, relacionadas com o sucesso de algumas vacinas para o Covid-19 nas últimas fases de testes. Estas notícias provocaram um otimismo, exagerado no meu ponto de vista, que fez com que muitas acções tivessem valorizações acima dos 20% em poucos dias.

Como referi na minha última análise de portfólio, os investidores voltaram a apostar em ações de valor em detrimento das tecnológicas. Exatamente o contrário do aconteceu no início da pandemia e antevendo um regresso à normalidade para um futuro próximo.

Como já foi referido por muitos especialistas, o regresso à normalidade pode não estar tão perto como muitos parecem acreditar. A aprovação das vacinas é uma excelente notícia mas, como se sabe, ainda vai decorrer muito tempo até toda a gente ser vacinada, pois a capacidade de produção anunciada pelos laboratórios é uma ínfima parte das necessidades globais.

Mais tarde ou mais cedo, esta onda de optimismo vai ser reajustada e iremos todos voltar à realidade.

Mas qual será a nova realidade depois da pandemia? Os nossos hábitos e costumes voltarão a ser o que eram? Iremos manter alguns dos hábitos que adquirimos com as restrições causadas pelo vírus?

Alterações económicas

Algumas alterações económicas que já se verificaram, devido à mudança dos nossos hábitos, serão de esperar por mais algum tempo.

  • As compras online registaram um crescimento enorme com a pandemia e mudou hábitos de muitas pessoas. Na minha opinião continuarão a crescer em muitos sectores. Muitas empresas que anteriormente não tinham presença na internet viram-se obrigadas a adoptar novos modelos de negócio que não serão temporários e irão dar essa alternativa aos consumidores. Penso que as compras em lojas físicas não voltarão aos níveis de 2019.
  • O turismo irá demorar muitos anos a recuperar. Portugal é um país fortemente dependente do turismo pelo que a nossa economia irá, consequentemente, ter uma recuperação muito lenta.
  • O teletrabalho vai sofrer um crescimento. Para fazer face ao confinamento, as empresas já investiram em criar condições para que os seus colaboradores possam trabalhar a partir de casa. Penso que muitas destas empresas irão dar essa oportunidade, embora limitada, no período pós-pandemia. Por exemplo, a minha empresa já nos permitia trabalhar 6 dias por mês a partir de casa e agora já estão a avaliar a extensão desse limite. As empresas que verificarem que a produtividade não baixou devido ao teletrabalho terão em consideração a redução de custos que também as beneficia.
  • Se o aumento do teletrabalho for significativo, poderá causar algum impacto no mercado habitacional. As grandes cidades poderão ter uma menor procura e as cidades mais pequenas poderão vir a ser mais procuradas, pois muitos dos que irão trabalhar a partir de casa irão preferir os preços inferiores e a maior qualidade de vidas das localidades mais pequenas.
  • Estou convencido que os cinemas irão acentuar o seu declínio. Devido ao confinamento, muitas pessoas tiveram que arranjar alternativas de entretenimento que passaram pelas novas plataformas de streaming. Os estúdios, por sua vez, já começaram a lançar filmes nestas plataformas ao mesmo tempo que os disponibilizam para os cinemas. Esta tendência irá manter-se e as pessoas, que já se estão a habituar a ver estes conteúdos nas suas casas, irão menos vezes aos cinemas. E fica-lhes mais barato.

Claro que existirão muitas mais mas para mim estas são as mais óbvias.

Alterações comportamentais

A pandemia também poderá e deverá causar algumas alterações permanentes dos nossos comportamentos, especialmente no que toca à saúde e higiene.

Penso que as pessoas estarão agora mais conscientes das consequências que muitos dos seus hábitos poderão provocar na sua saúde e na dos outros.

Mesmo aquelas pessoas que hoje em dia andam sempre de máscara em todo o lado e só a tiram para falar com as outras pessoas ou para espirrar têm uma consciência maior, à sua maneira, para as normas de higiene e segurança.

A importância da frequência e duração de atos de higiene tão simples como lavar as mãos, agora tantas vezes falada, não deverá cair no esquecimento.

Muitas das medidas de proteção e higiene que o comércio adoptou nesta fase também serão, espero eu, mantidas. Por exemplo, a utilização preferencial de cartão bancário do uso do “contactless” nos pagamentos, a forma como os produtos são manuseados e embalados, etc.

Alguns dos nossos hábitos financeiros e de consumo também se irão alterar. Muitas pessoas estão a poupar muito mais que antes, muitas sentiram a necessidade ou a importância de ter um fundo de emergência. Muitas perderam o hábito de gastar nisto ou naquilo e vão perceber que afinal não lhes fazia falta.

A aversão à tecnologia teve que ser ultrapassada por muitos, por necessidade, mas teremos agora uma sociedade menos reticente a adoptar as vantagens que as tecnologias nos proporcionam. Não tenho duvidas que muita gente foi forçada a aprender a controlar as suas contas bancárias através do homebanking e que o continuarão a fazer de futuro por opção. Muita gente teve que aprender o necessário para poder dar condições aos filhos para participarem nas aulas remotas, toda a gente aprendeu a fazer videochamadas e, como estes exemplos, existem muitos.

Regresso à normalidade

Algumas coisas irão, infeliz e felizmente, voltar ao normal.

O também tão falado distanciamento social parece-me que não se irá manter por muito mais tempo. Mesmo atualmente nem sempre é cumprido mas quando a pandemia for ultrapassada:

  • Os restaurantes voltarão a colocar o maior número de mesas possível, umas em cima das outras, para permitirem o intercâmbio entre pessoas que não se conhecem.
  • Nos transportes públicos voltaremos aos tempos do “salve-se quem puder” ou “tudo ao monte e fé em Deus”. Gostaria que fossem tomadas medidas sérias para acabar com isso, mas não acredito que vá acontecer e acho que vamos voltar a andar todos apertados. É pena porque o que se perdia em calor humano ganhava-se em higiene e comodidade.

Por outro lado:

  • A industria e comércio de vestuário voltará ao normal, seja em lojas físicas ou online. Há muita gente há tanto tempo fechada em casa que não teve necessidade de novo vestuário. Eu sou uma dessas pessoas. Quando voltarmos à normalidade o ritmo de compras de vestuário voltará ao normal pois as pessoas, na sua generalidade, são vaidosas.
  • A restauração poderá demorar um pouco mas voltará ao normal. Infelizmente muitos que já fecharam portas ou ainda irão fechar não terão essa oportunidade mas quando pudermos estar com os amigos e com as pessoas de quem gostamos, os nossos hábitos voltarão ao que eram.
  • Eu espero que o contacto físico também regresse à normalidade. Tenho saudades de dar um beijo à minha mãe. Mas também espero que muitos povos, que tinham por hábito cumprimentarem-se com três e quatro beijos na cara, percebam que é um risco e um desperdício de beijos e reduzam isso para um nível mais aceitável.
  • O meu carro continuará a precisar de ir à oficina de 2 em 2 meses e eu continuarei sem saber se o devia ter trocado ou se fiz bem em o manter.

E é isto meus amigos. Estas são as minhas previsões para a nova normalidade que se seguirá a esta nova normalidade. Não garanto que acerte em todas mas a vida de um adivinho é mesmo assim. Agora prevejo que este post terminará aqui.

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RBhttps://www.casacomtodos.com
Informático, de profissão e vocação, adora fazer caminhadas, correr, ver séries e ler livros de finanças pessoais. Destas, apenas 2 são mesmo verdade.

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