Dar tarefas aos dividendos

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Os recebimentos de dividendos são o ponto central da minha estratégia de investimento e dão-me alguma alegria sempre que caem na minha conta, mesmo sendo atualmente valores quase irrisórios.

Gosto de ir consultar a conta num determinado dia e ver que recebi 1,28€ de dividendos. Passados mais 3 ou 4 dias recebo mais 8,85€. Na semana seguinte, vejo um depósito de mais 12,99€ e outro no mesmo dia de 3,05€.

Sim, são valores pequenos, mas vão acumulando. Quando atingem um determinado valor, são reinvestidos para que, também eles, originem mais dividendos. E assim sucessivamente, fazendo com que o tempo se encarregue de os fazer crescer exponencialmente.

Sim, também é bom ver o património crescer através da valorização das ações em que invisto. No entanto, sempre que essa valorização acontece, será necessário investir mais dinheiro para obter o mesmo rendimento sob a forma de dividendos.

Estas duas forças opostas fazem com que eu nem saiba muito bem se deva ficar contente quando a bolsa sobe muito, como ontem, pois ainda estou na fase de criação de um portfólio que me gere renda passiva quando chegar à reforma.

Nesta fase, o objetivo é juntar a um valor mensal obtido através de poupança de parte do salário, os dividendos recebidos e investi-los de forma a aumentarem os dividendos futuros.

Mas chegará a altura em que não será mais possível contar com o salário para pagamento das despesas e passarei a viver da pensão de reforma, se quando eu lá chegar ainda existirem essas coisas, claro.

Será nessa altura em que os dividendos entrarão em funções e eu darei tarefas a todos.

No presente, tenho um rendimento aproximado de 20€ por mês em dividendos. Esses 20€ terão como tarefa pagar a conta do gás.

O meu próximo objetivo, que espero atingir no fim do próximo ano, será atingir os 60€, em média, de dividendos mensais. Os restantes 40€ terão como tarefa o pagamento da conta da Tv cabo.

Depois seguir-se-á a conta da eletricidade e da água e assim, sucessivamente, até que os dividendos consigam pagar as minhas despesas fixas.

A vantagem desta estratégia é que não é necessário alienar partes do portfolio para conseguir uma renda suplementar na reforma, fazendo com que ela se vá esgotando no tempo, como será o caso de outros tipos de estratégias de investimento.

Com esta estratégia, os investimentos continuam investidos e, preferencialmente, a valorizar. No entanto, há uma renda passiva que recebo pelos investimentos que posso colocar à minha disposição e que estará lá para sempre.

Mas nem todas as empresas que pagam dividendos servem para esta estratégia. Se uma empresa paga o mesmo dividendo ao longo de muito tempo, esse valor vai sendo depreciado pelo efeito da inflação. Chegará um momento em que 20€ não chegarão para pagar a conta do gás.

Tenho, então, que procurar empresas com histórico comprovado de aumentarem com regularidade o seu dividendo acima da taxa de inflação. Ao investir em ações destas empresas estarei a garantir que as tarefas que estou a dar aos dividendos hoje permanecerão válidas quando forem necessárias.

Terei ainda que acompanhar de perto o meu portfolio e garantir que as premissas que me levaram a investir numa empresa permanecem válidas. Se não for o caso, fazer as necessárias alterações, nunca esquecendo o objetivo principal, o dividendo.

RBhttps://www.casacomtodos.com
Informático, de profissão e vocação, adora fazer caminhadas, correr, ver séries e ler livros de finanças pessoais. Destas, apenas 2 são mesmo verdade.

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