Como Organizar as Finanças Pessoais – Estabelecer objetivos SMART

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Na sequência dos artigos em que partilho o método que utilizei para organizar as minhas finanças pessoais, depois de efetuados os passos anteriores:

Chega a vez de, com base na análise da informação recolhida, estabelecer objetivos.

Tomar o controlo das finanças pessoais requer planeamento e o primeiro passo para isso é a definição dos objetivos que nos propomos atingir. Está provado que as pessoas que estabelecem e perseguem objetivos conseguem poupar mais e melhorar mais a sua saúde financeira do que pessoas que não definem objetivos.

Será necessário escrever algumas ideias de metas que gostaríamos de atingir ou de melhorar na nossa vida financeira

Não serve qualquer coisa. “poupar mais” não é um objetivo, “gastar menos em saídas à noite” também não. Se definir como objetivo apenas “poupar mais” e amanhã fazer o jantar em casa em vez de ir buscar fora, já tenho o objetivo cumprido? Se não, quando é que terei? Não sabemos.

Os objetivos devem ser específicos e terem uma referência temporal. Por exemplo, “poupar 20€ por semana para as férias até agosto” já pode ser considerado um objetivo. É, aliás, um objetivo SMART (Specific, Measurable, Achievable, Realistic and Time-bound), pois é específico, mensurável, atingível, realístico e tem um limite temporal bem definido.

Os objetivos devem ser bem específicos para não surgirem dúvidas mais tarde do que realmente se pretendia atingir.

Devem ser mensuráveis pois devem permitir identificar inequivocamente a sua realização ou não e possibilitar o acompanhamento da evolução do seu cumprimento, bem como a tomada de decisões que possibilitem corrigir os desvios que surjam pelo caminho.

Devem ser atingíveis e realísticos pois só assim será possível manter o foco e a motivação no seu cumprimento.

Muitas pessoas definem objetivos ilusórios, sem estudarem previamente a sua viabilidade. Por exemplo querem poupar um montante superior às suas possibilidades e quando percebem que não irá ser possível, abandonam o objetivo e deixam de poupar.

É melhor ser conservador que ser demasiado otimista na definição dos objetivos e mais tarde, se for possível, ir mais além do proposto inicialmente, do que cedo perceber que a sua realização é impossível e abandoná-lo completamente.

O trabalho feito nas duas fases anteriores, em que se determinaram os ativos e os passivos, as receitas e as despesas, irá ajudar a definir objetivos atingíveis e realísticos.

Por fim, devem ter um limite temporal bem definido que permita estabelecer um prazo e um fim.

Os objetivos podem ser de curto (1 a 3 anos), médio (3 a 5 anos) ou longo prazo (5 a 10 anos) e alguns exemplos podem ser:

  • Criar um fundo de emergência com 1.200€ até ao fim do ano de 2021.
  • Juntar 2.500€ por ano até ao fim do próximo ano para a entrada de um automóvel.
  • Pagar a totalidade do saldo dos cartões de crédito até ao fim de setembro.
  • Eliminar todas as despesas bancárias até ao fim do ano.
  • Colocar de lado todos os meses 30€ para pagar o seguro do carro em novembro.
  • Colocar de lado todos os meses 70€ para visitar Nova Iorque em junho de 2023.
  • Etc.

Depois de estabelecer os objetivos eles devem ser prioritizados de acordo com o que for mais urgente ou mais importante pois poderá não ser possível abordar todos os objetivos em simultâneo.

Por outro lado, a nossa realidade pode mudar e obrigar-nos a optar entre objetivos. Se a dada altura se concluir que não é possível atingir todos os objetivos estabelecidos, devem ser centrados todos os esforços nos objetivos com prioridade mais elevada. Certamente que pagar uma dívida deve ser mais importante que poupar para umas férias.

Por fim, deve ser definida uma periodicidade para o acompanhamento da sua evolução. É fundamental revisitar os objetivos periodicamente (no meu caso faço um ponto de situação todos os meses) e ajustá-los quando necessário.

Na folha de cálculo ou onde for que os objetivos sejam escritos, ficaria qualquer coisa como:

QueroPrioridadeObjetivo TotalValorFrequênciaAtéAtual% Atingido
Criar fundo de emergência11 200,00 €100,00 €Mensal31/12/2021200,00 €16,67%
Juntar para a entrada inicial de um carro25 000,00 €2 500,00 €Anual31/12/2022500,00 €10,00%

Faltará apenas festejar sempre que os objetivos forem cumpridos.

No próximo artigo vamos criar um plano para as nossas finanças pessoais que permita o cumprimentos dos objetivos definidos.

RBhttps://www.casacomtodos.com
Informático, de profissão e vocação, adora fazer caminhadas, correr, ver séries e ler livros de finanças pessoais. Destas, apenas 2 são mesmo verdade.

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