Como comprei o novo iPhone

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Eu sou um fanático adepto de tecnologia.

Desde pequeno, quando o meu pai me comprou o meu primeiro ZX Spetrcum, que eu soube que o que iria fazer na vida teria que estar ligado a tecnologia.

O Spectrum era principalmente uma máquina para jogos, mas também permitia programar e criar pequenas aplicações. Como o meu irmão era muito melhor a jogar do que eu, dediquei-me a aprender Basic, a linguagem de programação mais acessível na altura e a desenvolver pequenas aplicações, com as quais até ganhei alguns pequenos prémios na escola secundária.

Desde então, passaram uns anos largos até a evolução da tecnologia ter o ritmo que tem atualmente mas entretanto surgiram os primeiros smartphones. O meu primeiro foi um HTC que tinha um sistema operativo da Microsoft e necessitava de uma espécie de caneta para interagir com as (poucas) aplicações. Fiquei agarrado pois o telemóvel, que eu também já gostava, passou a servir também de assistente pessoal.

Surgiram então os primeiros iPhones, numa altura que eu era completamente anti-Apple e já tinha o meu primeiro smartphone Android. Foi nessa altura em que deixamos de necessitar da tal caneta e passamos a interagir com os aparelhos apenas com os dedos. Foi uma revolução.

Como era anti-Apple, nunca tinha pensado em comprar um iPhone. Mas nessa altura trabalhava numa das empresas de telecomunicações e, por ser funcionário, tive a oportunidade de adquirir o iPhone 4 com um apreciável desconto. Resolvi comprar um para posteriormente vender e ganhar algum dinheiro extra. No entanto, cometi o pecado de abrir a caixa para ver como ele era.

Percebi facilmente o motivo de tanta fama. A resolução do ecrã, a velocidade, a qualidade das aplicações e o interface com o dedo estavam, nessa altura, com uma qualidade muito superior à dos androids existentes.

Nessa altura como atualmente, saía um novo iPhone todos os anos mas, ao contrário do que acontece hoje, cada novo iPhone trazia um conjunto de inovações e de novas funcionalidades que tornavam a ideia de trocar de telemóvel todos os anos quase como uma obrigação.

Num sentido mais racional, o custo de trocar todos os anos era praticamente o mesmo que manter o telemóvel por 3 anos e comprar um novo apenas depois de passado esse tempo. Isto porque eu vendia os antigos imediatamente depois de ter o novo.

Um iPhone novo custava cerca de 600€ e conseguia vendê-lo no ano seguinte por 400€. Ter sempre o modelo novo custava-me 200€ por ano, ou seja, em 3 anos gastava 600€, o mesmo que gastaria se mantivesse o mesmo telemóvel por 3 anos e depois tivesse que adquirir um novo, numa altura em que já ninguém estaria interessado em comprar o meu ou valeria muito pouco.

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Assim, gastando o mesmo dinheiro, andava sempre com o último modelo, tendo sempre o cuidado de o manter num estado imaculado para o poder vender facilmente. Até tinha pessoas que me tinham comprado modelos antigos e telefonavam-me no ano seguinte a perguntar se também ia vender nesse ano, porque sabiam como eu os mantinha e estavam interessados nesse modelo.

Nos anos mais recentes isto já não acontece. Em primeiro lugar porque já não há inovações com o mesmo ritmo que antes e não há grandes motivos para trocar com tanta frequência. Depois porque os novos já custam o dobro e desvalorizam muito mais ao fim de um ano, pelo que financeiramente também já não é a mesma coisa.

Então, quando comprei o modelo de 2017, resolvi que só trocaria novamente ao fim de 3 anos. Sabia que o preço nunca iria descer e 1.000€ é muito dinheiro, mas também já me conheço muito bem e sei que não tenho perfil para manter um equipamento, que é de longe o item que mais utilizo e considero mais imprescindível, desatualizado por muito tempo.

E assim foi. Pela primeira vez na vida tive o mesmo telemóvel durante 3 anos.

No entanto, desde 2017 que me vim a preparar para este momento. Com a ajuda da funcionalidade Goals do YNAB, de que falei aqui, estabeleci o objetivo de poupar 1.000€ até setembro deste ano e desde essa altura que logo que recebia o salário, colocava de parte 30€ para este fim. Quando foi lançado o iPhone deste ano, já tinha o dinheiro de lado e não tive que fazer malabarismos financeiros para o poder comprar.

Claro que existiram meses em que surgiram imprevistos e que não me foi possível colocar esse dinheiro de lado, mas compensei noutros meses em que me foi possível poupar mais para compensar esses imprevistos.

Agora que o comprei, comecei já a planear a próxima troca que deverá ocorrer também daqui a 3 anos.

Desta vez estou a planear juntar 1.300€ pois, com a inflação, o preço daqui a 3 anos será superior ao atual.

Para ter esse montante disponível daqui a 3 anos, o YNAB indica-me que tenho que reservar mensalmente 37,15€. Se por algum motivo falhar essa poupança, o YNAB irá automaticamente recalcular esta “mensalidade” e irá indicar-me quando deverei poupar mês a mês para atingir o meu objetivo.

Tenho a certeza que muitos que leiam este post acham que o iPhone não vale o dinheiro que custa e não é o meu objetivo debater esse assunto. As “coisas” têm valores diferentes para diferentes pessoas e ainda bem que assim é. E para algumas pessoas, não é necessário juntar dinheiro durante anos para comprar um iPhone e para outras há outras prioridades bem mais importantes do que um telemóvel recente. Cada um tem a sua realidade.

O meu objetivo é apenas partilhar o meu objetivo e que com planeamento e consistência o consegui atingir sem detrimento de outros objetivos, obrigações e compromissos que tenho, o que deu uma satisfação enorme.

A ideia tantas vezes transmitida do “pagar-se a si próprio primeiro”, quando aplicada com rigor, permite-nos alcançar os nossos objetivos, com maior ou menor dificuldade. O importante é estabelecer objetivos realistas e depois permanecer focado e não nos desviarmos do plano que traçámos.

Agora, durante os próximos dias, vou-me sentir como uma criança e usar ao máximo todas as funcionalidades do meu brinquedo novo, muitas das quais já tinha no antigo e não utilizava. Até deixar de ser novidade…

RBhttps://www.casacomtodos.com
Informático, de profissão e vocação, adora fazer caminhadas, correr, ver séries e ler livros de finanças pessoais. Destas, apenas 2 são mesmo verdade.

2 COMENTÁRIOS

  1. Não me identifico com a ideia de trocar regularmente o telemóvel ou dar tanto dinheiro por um, mas identifico-me imenso com essa forma de poupança, para depois comprar as coisas sem fazer malabarismos com o orçamento mensal.
    Por aqui faz-se uma poupança para as férias, 50€ da minha conta, 50€ da conta do marido e 50€ da conta comum, 150€ destinados à nossa conta de férias, nunca mais tive de fazer malabarismos para poder ter umas férias decentes, caso seja gasto nas férias continuamos a poupar para o ano seguinte caso fique um valor razoável, engrossamos a poupança. Não mexemos no orçamento mensal, não mexemos nos subsídios de férias.
    IMI igual, coloco de lado todos os meses um valor, na altura do pagamento tenho sempre o dinheiro disponível.
    Só de exemplo um ano antes da minha filha ir para a universidade criei um mealheiro físico onde colocava uma quantia mensal e mais umas moedas de 2€ e uns extras que apareciam, quando ela entrou abri o mealheiro tinha lá cerca de 500€, que deu para para todas as pequenas despesas extras que somadas dão uma boa conta, mais uma vez sem por em causa orçamento.
    Faço também outra pequena poupança que dá muito jeito, como sou cliente habitual do continente e tenho mais que um cartão, vou acumulando todo o saldo sem gastar a não ser que seja obrigatório e em Dezembro/Natal consigo fazer as compras que por norma são mais que as habituais sem despender mais dinheiro, muitas pessoas podem dizer que quem está a lucrar é o continente por não usar o meu saldo, mas comigo resulta lindamente, até porque descontar 5€ sempre que os tenho disponível não me faz grande diferença, mas cada cabeça sua sentença.

    Estes são os métodos que utilizo e gosto bastante e tem dado resultado.
    Peço desculpa pelo comentário tão longo.

    • Olá Teresa,

      Eu tento poupar mensalmente para todas as despesas “anuais”, como os seguros do carro e da casa, o IMI, o IUC, etc. mas por acaso para férias não costumamos fazer isso e tiramos mesmo da poupança genérica (não é o fundo de emergência, é a poupança onde guardamos o dinheiro que sobre ao fim do mês, o reembolso do IRS, etc).

      A ideia do saldo do cartão Continente também já ma tinham dado e uma vez experimentei, mas quando atingi um valor já jeitoso num mês em que tive algumas despesas extra resolvi gastá-lo para não ter que tirar da poupança. Nunca mais tentei.

      Obrigado pela partilha e por ter visitado o blog.

      RB

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