A Educação Financeira nos Jovens

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A educação financeira não é um tema muito valorizado no nosso país, e como tal, infelizmente ainda não é matéria de estudo e debate nas nossas escolas.

Nós, os adultos da casa, já estamos sensibilizados para o tema e em processo de reeducação financeira desde há uns meses para cá. Todos queremos o sucesso dos nossos filhos, e a independência financeira é sem dúvida essencial para que tenham uma vida tranquila e segura, pelo que queremos passar-lhes a nossa aprendizagem.

Dada a diferença de idades entre eles a tarefa não tem sido assim tão fácil, o que nos levou a pesquisar sobre o assunto.

Então, como abordar o tema das finanças às crianças?

Já sabemos que captar a atenção delas para este tema não é assim tão simples, e que exige um esforço da nossa parte para os cativar com argumentos que sejam do interesse deles ou divertidos.

Deixo-vos algumas sugestões que nos fazem sentido:

Crianças a partir dos cinco/seis anos:

As crianças até aos cinco ou seis anos vivem absorvidas pelo mundo da fantasia onde naturalmente não há lugar para preocupações com o futuro. Mas isso não significa que não possamos começar a introduzir alguns conceitos básicos que envolvam o dinheiro, como o nome das moedas e das notas ou a necessidade de poupar para comprar aquele brinquedo.

Sugestões de atividades para crianças nesta idade:

  • Semanada: podemos atribuir uma semanada de um euro por semana e dividir por exemplo em moedas de 10 cêntimos de forma a facilitar a ideia da quantidade e valor do dinheiro;
  • Mealheiro: de forma a estimular a poupança um mealheiro transparente que contabilize as moedas digitalmente é uma excelente forma de adquirem a noção do que já ganharam;
  • Poupar para…: podemos criar objetivos de poupança, como por exemplo comprar um determinado brinquedo.
  • Escolhas: incutir algum poder de decisão que os ajude a perceber que nem tudo tem o mesmo valor e que por isso os esforços financeiros são diferentes. Queres um gelado ou preferes um bolo e um sumo? A criança terá de decidir sabendo que tem que respeitar o orçamento estipulado inicialmente.

Crianças a partir dos dez anos

A partir dos dez anos já se torna mais fácil transmitir alguns conceitos, ou de incentivar na participação em pequenas tarefas do orçamento doméstico. Levar lanche para a escola ou pedir que escolham produtos mais baratos no supermercado, são exemplos práticos onde eles facilmente percebem a correlação entre o consumo e o gasto financeiro que lhe está associado.

Sugestões de atividades para crianças desta idade:

  • Semanada: Continuamos com a semanada, mas incrementamos o valor;
  • Dois mealheiros: dois mealheiros com objetivos diferentes, um para poupar e outro para gastar;
  • Supermercado: uma atividade interessante pode passar por envolvê-los no processo da escolha dos produtos de forma a privilegiar a poupança sem sacrificar a qualidade;
  • Podemos ajudá-los a comparar o preço dos produtos entre as diferentes marcas, tendo em conta o preço por quilo/ unidade e o peso do produto;
  • Empreendedorismo: Porque não incentivar a venda de brinquedos e jogos que eles já não usam. As lojas de jogos em segunda mão estão cada vez mais em voga, e o espaço livre em casa é cada vez mais valorizado.

Crianças a partir dos quinze anos

A partir dos quinze/dezasseis anos, já podemos falar abertamente sobre a generalidade dos conceitos inerentes ao orçamento familiar, não apenas os relacionados com as despesas, mas também o das receitas. É comum, por volta destas idades quererem por exemplo um trabalho de verão que lhes ofereça algum rendimento.

Sugestões de atividades para jovens desta idade:

  • Mesada: Passamos da semanada para a mesada, mas ATENÇÃO – não nos podemos esquecer de incluir todos os extras inerentes à idade, como cinema e saídas com amigos. A ideia é aprenderem a gerir o que têm estipulado e não haver incrementos a meio do mês, daí a importância da mesada ser ajustada à realidade deles;
  • Trabalhos pontuais: Porque não incentivá-los a trabalhar nas férias? Além de criarem hábitos de trabalho irão com certeza dar mais valor ao dinheiro;
  • Telemóvel: Acabaram os dados móveis? Paciência! Ficam sem eles até ao final do mês ou irá sair das suas próprias poupanças;
  • Compras: Incentivá-los a comprar o que mais gostam com as poupanças;
  • Juntar, poupar e investir – A poupança é o primeiro passo para começar a investir. Esta pode ser uma excelente altura de os fazer entender que o dinheiro que fica guardado no lugar certo pode render mais dinheiro.

Estes são apenas alguns exemplos, o mais importante será mesmo encarar o tema com naturalidade e transmitir-lhes que o dinheiro exige trabalho e esforço, não sai das caixas multibanco; falar regularmente sobre a poupança (e dar o exemplo); responsabilizá-los pelas suas mesadas e dar-lhes exemplos concretos de que só poupando poderão enfrentar situações imprevistas com uma maior tranquilidade.

Depois disto, só nos resta fazer figas e torcer para que não gastem tudo em gomas, se gastarem… roubamos as coca-colas.

IMhttps://www.casacomtodos.com
IM, consultora de profissão, esposa e mãe por opção, dona de casa por obrigação. Uma apaixonada pela vida que quando não está a fazer o que gosta, está certamente a fazer o que não gosta.

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